Oi pessoal! Feliz 2011!

Passado Natal e Revéllion estamos todos de volta à vida normal. Inclusive eu, que não terei tantos ensaios de ballet e me sobrará tempo pra escrever, limpar a casa, fazer supermercado, hehe

Gente, foi cansativo, mas valeu muito a pena! Realizar um sonho sempre vale a pena, né? Para ilustrar o primeiro post do ano, euzinha, de bailarina, pra lembrar a todos nós que basta acreditar e batalhar que tudo dá certo!

Eu, no Espetáculo Sonhos do Ballet Adulto Karen Ribeiro

No próximo post, inspirada no samba de Herivelto Martins, irei falar sobre os temidos cabelos brancos….

Até lá!

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Gente, hoje recebi um comentário no meu post “O retorno”. Daí isso me deu uma saculejada, porque depois de postar isso há tanto tempo, eu nunca mais escrevi nada. De fato estou mega ausente. Mas é por uma causa muito nobre e que contarei a vocês: desde o final do ano passado, eu comecei a fazer aulas de ballet clássico.

Além das aulas do baby class, nunca dancei ballet e encontrei com a minha professora, Karen Ribeiro, a preciosa oportunidade de aprender a dançar ballet clássico quase aos 30 anos. Sim, é um ballet SÓ para adultos! Pra vocês terem uma ideia, já estou usando ponta, coisa que achei que era impossível para uma bailarina iniciante da minha idade.

Inclusive nessas aulas eu tenho minhas maiores lições práticas sobre aceitação do próprio corpo: é a quebra de tabu sobre a bailarina magérrima, o fato de se olhar no espelho de collant e meia e fazer movimentos que parecem impossíveis à primeira vista.

No final do ano, iremos fazer um espetáculo e eu estou ensaiando horrores. TODO dia chego super tarde em casa e ainda tem o final de semana. Então, me perdoem, não deixem de bisolhar o blog e vão me ver dançar!!! Os ingressos estão à venda no Estúdio Ana Esmeralda (quem quiser fazer aula, liga lá e agenda).

Beijos!

Bom dia, pessoal!
Vocês devem ter reparado que o blog ficou sem atualização nas últimas semanas, não é? Infelizmente não tive tempo, mas nessa semana trarei novidades. Aguardem! E obrigada pela paciência!
Beijos

Uma amiga me perguntou porque eu havia postado a foto de uma mulher da Mauritânia. Foi ótima essa pergunta porque até uns meses atrás eu nem sabia que esse país africano existia, então é óbvio que eu deveria ter contextualizado. Então vamos lá!

Resumidamente falando, nesse país ser gordo é sinal de riqueza e abundância. Para as mulheres, quanto mais gorda melhor, pois ela será cobiçada para um casamento. Por isso, muitas meninas passam por regimes rigorosos de engorda para que adquiram excesso de peso. Quando eu li sobre essa história pela primeira vez, imediatamente lembrei dos gansos que são submetidos à engorda para servirem de matéria-prima para o foie-grass… Ambos procedimentos revoltantes.

Na época, fiquei tão curiosa que apelei para o Google na busca de mais informações. Não achei muita coisa, mas dentro do que achei, li opiniões de mulheres dizendo que o paraíso era a Mauritânia porque lá se podia ser gorda, ou melhor, as mulheres deviam ser gordas… Ora, deve ter havido algum probleminha de comunicação aí, porque essas mulheres são OBRIGADAS a serem gordas. Isso é tão “paraíso” quanto ser obrigada a ser magra, ou ser obrigada a ter pé pequeno ou ser obrigada a ser qualquer coisa que você não é!

Nesse caso, elas precisam ter um tipo físico que lhes garantam um casamento e assim, um papel social. Segundo Suzanne Simon, em O caráter feminino “… cada cultura oferece à mulher uma imagem dela mesma, um ‘estereótipo’ , dizem os psicossociólogos. No decorrer dos séculos, e mesmo ainda hoje, tal imagem foi concebida e expressa pelos homens (…) Cada cultura define também, e ao mesmo tempo, o papel que espera ver realizado pelas mulheres que a ela pertencem”.

Voltando ao Brasil, nessa Sexta, eu vi no metrô um casal bem diferente dos nossos padrões. Um menino esbelto, com músculos aparentes junto com sua namorada, uma menina muito acima do peso. Foi muito interessante observar como as pessoas no metrô olhavam para aquele casal. Era como se aquilo fosse errado. Por quê? Porque assim como na Mauritânia as mulheres precisam do excesso de peso para casarem, no Brasil é exatamente o contrário. É o olhar sobre o papel feminino e seu corpo sendo mediados pela nossa cultura.

Se você pudesse escolher um corpo, dos retratados nas fotos abaixo, qual você escolheria para ser o seu?

Se você é uma ocidental nascida no século XX, deve ter escolhido o da modelo de biquíni. Óbvio, porque ela é a mais bonita, você deve estar pensando.

Pois a beleza está nos olhos de quem vê, ou seja, da sociedade e da cultura em que está inserida.

Se você fosse da Mauritânia, ia querer ser a moça da última foto. Já se fosse da tribo das mulheres-girafa, na Tailândia, ia delirar com as argolas douradas da mulher da primeira foto. Já no Japão da época das gueixas, esse sapato minúsculo deixaria os homens literalmente aos seus pés. 

Ambos os corpos femininos foram moldados com algum tipo de sacrifício para serem admirados. Trago aqui um trecho do livro Olhares sobre o corpo imaginário, de Nilda Teves, que traduz muito bem esse “fenômeno”:

“São imagens que se instituíram em diferentes culturas como maneiras próprias de ver e viver o corpo. Entenda-se como imagem corporal a forma como o indivíduo se percebe e se sente em relação ao seu próprio corpo. Essa imagem remete, de algum modo, ao sentido das imagens corporais que circulam na comunidade e se constroem a partir dos diversos relacionamentos que ali se estabelecem, seja pela proximidade, seja pela distância emocional que ela proporciona. Isso significa que em qualquer grupo existe sempre uma imagem social do corpo – é pois um símbolo; provoca sentimentos de identificação ou de rejeição dos sujeitos em relação a determinadas imagens.”

Pessoal, queria comentar duas coisas com vocês:

– Primeiro é, tenham paciência com o layout e organização do blog. Não sei mexer em quase nada do WordPress, então as coisas ainda estão bagunçadas…

-Segundo que eu queria agradecer muito a Gisela Rao, grande escritora e exemplo de mulher, que colocou um link do Acordei Gorda no blog dela, o Vigilantes da Autoestima http://vigilantesdaautoestima.zip.net/. Gi, assim que eu aprender a fazer essa lista de blogs relacionados, o VAE estará lá!

Ontem, estava num bar com uma amiga e um amigo e começamos uma acalorada discussão quando ele disse que iria fazer um comentário no meu blog. Segundo ele, seria uma visão masculina sobre o assunto. Bom, até aí tudo bem, quero mais é que meus amigos comentem. Mas me chamou a atenção sobre o fato de existir uma opinião feminina e masculina sobre o tema. Por que dividi-las por sexo? Será que estamos tendo algum ruído na comunicação?

Quando resolvi discutir os padrões de beleza femininos, não estou levantando nenhuma bandeira. Acredito que todos nós, homens ou mulheres, precisamos ter autoestima. Só que, sinceramente, é muito difícil construí-la e solidificá-la num mundo que nos diz que temos que ser belos, bem-sucedidos e felizes em todos os aspectos da nossa vida para aí sim, nos amarmos. Precisaríamos viver num comercial de margarina!

O nome do blog é Acordei Gorda, mas não criei ele para abordar apenas o tema da gordura. Talvez esse nome tenha vindo na minha mente porque a gordura é um dos maiores “problemas” que homens e mulheres precisam enfrentar para estar no padrão de beleza exigido. Não quero dizer que ter quilinhos a mais é certo ou errado.  O certo é estarmos bem com a gente mesmo e com saúde. E acho que um caminho para conseguirmos isso, é refletir sobre o mundo em que vivemos. Porque temos que ser a pessoa que dizem que devemos ser?

O tema imagem corporal é muito mais impactante para as mulheres do que para os homens, embora hoje também exista uma cobrança forte em relação ao corpo masculino, refletindo a sociedade de valorização do corpo em que vivemos. Mas para as mulheres, essa cobrança vem com mais força (assim como todas outras). Quando, na mesa do bar, perguntamos para nosso amigo no que ele se sentia cobrado, ele respondeu que era ser bem sucedido financeiramente. Depois pensou e não se lembrou de nada na hora. De pronto, eu e minha amiga elencamos mais uma lista para as mulheres: ser bonita, ser casada, ser boa mãe, ser boa amante, ser boa esposa, ser boa profissional, ser inteligente, etc.

Quando eu fiz meu TCC em jornalismo, pesquisei como a mulher era retratada na revista Claudia no ano de 2002. A mulher podia ser PHD em física quântica, mas seu discurso era sempre validado porque além de tudo, ela era bela, ou charmosa, ou sexy, ou elegante. Algum atributo físico essa mulher tinha que ter. Duvido que se o entrevistado fosse homem isso seria importante.

Portanto, a ideia não é promover uma guerra dos sexos, nem dizer para todos nós perdermos a vaidade e auto-estima. Não!!!! Só que eu acho que este é um tema que está o tempo todo na nossa vida e que aceitamos sem nunca nos questionarmos. E cá para nós, se a sociedade está numa onde de supervalorizar o corpo, porque não fazemos jus a isso e estimulamos uma parte dele: o cérebro?

Pense nisso!