Ontem, estava num bar com uma amiga e um amigo e começamos uma acalorada discussão quando ele disse que iria fazer um comentário no meu blog. Segundo ele, seria uma visão masculina sobre o assunto. Bom, até aí tudo bem, quero mais é que meus amigos comentem. Mas me chamou a atenção sobre o fato de existir uma opinião feminina e masculina sobre o tema. Por que dividi-las por sexo? Será que estamos tendo algum ruído na comunicação?

Quando resolvi discutir os padrões de beleza femininos, não estou levantando nenhuma bandeira. Acredito que todos nós, homens ou mulheres, precisamos ter autoestima. Só que, sinceramente, é muito difícil construí-la e solidificá-la num mundo que nos diz que temos que ser belos, bem-sucedidos e felizes em todos os aspectos da nossa vida para aí sim, nos amarmos. Precisaríamos viver num comercial de margarina!

O nome do blog é Acordei Gorda, mas não criei ele para abordar apenas o tema da gordura. Talvez esse nome tenha vindo na minha mente porque a gordura é um dos maiores “problemas” que homens e mulheres precisam enfrentar para estar no padrão de beleza exigido. Não quero dizer que ter quilinhos a mais é certo ou errado.  O certo é estarmos bem com a gente mesmo e com saúde. E acho que um caminho para conseguirmos isso, é refletir sobre o mundo em que vivemos. Porque temos que ser a pessoa que dizem que devemos ser?

O tema imagem corporal é muito mais impactante para as mulheres do que para os homens, embora hoje também exista uma cobrança forte em relação ao corpo masculino, refletindo a sociedade de valorização do corpo em que vivemos. Mas para as mulheres, essa cobrança vem com mais força (assim como todas outras). Quando, na mesa do bar, perguntamos para nosso amigo no que ele se sentia cobrado, ele respondeu que era ser bem sucedido financeiramente. Depois pensou e não se lembrou de nada na hora. De pronto, eu e minha amiga elencamos mais uma lista para as mulheres: ser bonita, ser casada, ser boa mãe, ser boa amante, ser boa esposa, ser boa profissional, ser inteligente, etc.

Quando eu fiz meu TCC em jornalismo, pesquisei como a mulher era retratada na revista Claudia no ano de 2002. A mulher podia ser PHD em física quântica, mas seu discurso era sempre validado porque além de tudo, ela era bela, ou charmosa, ou sexy, ou elegante. Algum atributo físico essa mulher tinha que ter. Duvido que se o entrevistado fosse homem isso seria importante.

Portanto, a ideia não é promover uma guerra dos sexos, nem dizer para todos nós perdermos a vaidade e auto-estima. Não!!!! Só que eu acho que este é um tema que está o tempo todo na nossa vida e que aceitamos sem nunca nos questionarmos. E cá para nós, se a sociedade está numa onde de supervalorizar o corpo, porque não fazemos jus a isso e estimulamos uma parte dele: o cérebro?

Pense nisso!

Anúncios