Se você pudesse escolher um corpo, dos retratados nas fotos abaixo, qual você escolheria para ser o seu?

Se você é uma ocidental nascida no século XX, deve ter escolhido o da modelo de biquíni. Óbvio, porque ela é a mais bonita, você deve estar pensando.

Pois a beleza está nos olhos de quem vê, ou seja, da sociedade e da cultura em que está inserida.

Se você fosse da Mauritânia, ia querer ser a moça da última foto. Já se fosse da tribo das mulheres-girafa, na Tailândia, ia delirar com as argolas douradas da mulher da primeira foto. Já no Japão da época das gueixas, esse sapato minúsculo deixaria os homens literalmente aos seus pés. 

Ambos os corpos femininos foram moldados com algum tipo de sacrifício para serem admirados. Trago aqui um trecho do livro Olhares sobre o corpo imaginário, de Nilda Teves, que traduz muito bem esse “fenômeno”:

“São imagens que se instituíram em diferentes culturas como maneiras próprias de ver e viver o corpo. Entenda-se como imagem corporal a forma como o indivíduo se percebe e se sente em relação ao seu próprio corpo. Essa imagem remete, de algum modo, ao sentido das imagens corporais que circulam na comunidade e se constroem a partir dos diversos relacionamentos que ali se estabelecem, seja pela proximidade, seja pela distância emocional que ela proporciona. Isso significa que em qualquer grupo existe sempre uma imagem social do corpo – é pois um símbolo; provoca sentimentos de identificação ou de rejeição dos sujeitos em relação a determinadas imagens.”

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