Uma amiga me perguntou porque eu havia postado a foto de uma mulher da Mauritânia. Foi ótima essa pergunta porque até uns meses atrás eu nem sabia que esse país africano existia, então é óbvio que eu deveria ter contextualizado. Então vamos lá!

Resumidamente falando, nesse país ser gordo é sinal de riqueza e abundância. Para as mulheres, quanto mais gorda melhor, pois ela será cobiçada para um casamento. Por isso, muitas meninas passam por regimes rigorosos de engorda para que adquiram excesso de peso. Quando eu li sobre essa história pela primeira vez, imediatamente lembrei dos gansos que são submetidos à engorda para servirem de matéria-prima para o foie-grass… Ambos procedimentos revoltantes.

Na época, fiquei tão curiosa que apelei para o Google na busca de mais informações. Não achei muita coisa, mas dentro do que achei, li opiniões de mulheres dizendo que o paraíso era a Mauritânia porque lá se podia ser gorda, ou melhor, as mulheres deviam ser gordas… Ora, deve ter havido algum probleminha de comunicação aí, porque essas mulheres são OBRIGADAS a serem gordas. Isso é tão “paraíso” quanto ser obrigada a ser magra, ou ser obrigada a ter pé pequeno ou ser obrigada a ser qualquer coisa que você não é!

Nesse caso, elas precisam ter um tipo físico que lhes garantam um casamento e assim, um papel social. Segundo Suzanne Simon, em O caráter feminino “… cada cultura oferece à mulher uma imagem dela mesma, um ‘estereótipo’ , dizem os psicossociólogos. No decorrer dos séculos, e mesmo ainda hoje, tal imagem foi concebida e expressa pelos homens (…) Cada cultura define também, e ao mesmo tempo, o papel que espera ver realizado pelas mulheres que a ela pertencem”.

Voltando ao Brasil, nessa Sexta, eu vi no metrô um casal bem diferente dos nossos padrões. Um menino esbelto, com músculos aparentes junto com sua namorada, uma menina muito acima do peso. Foi muito interessante observar como as pessoas no metrô olhavam para aquele casal. Era como se aquilo fosse errado. Por quê? Porque assim como na Mauritânia as mulheres precisam do excesso de peso para casarem, no Brasil é exatamente o contrário. É o olhar sobre o papel feminino e seu corpo sendo mediados pela nossa cultura.

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